Nem todo industrializado é ultraprocessado!

Imagem retirada do Guia Alimentar para a População Brasileira (2014)

Essa semana me surpreendi com mensagens sobre os “legumes congelados de pacote” que utilizei para fazer um caldinho delícia essa semana e coloquei o passo-a-passo nos stories do meu perfil do Instagram (se você não me segue ainda, vai lá: @nutricaoacolhedora). Recebi perguntas como: “Pode usar legumes congelados de pacote?” “Não tem muito conservante?” “Não é melhor utilizar os legumes frescos?” “Não é ruim consumir industrializados?” “Uma nutricionista usando legumes congelados de pacote e sugerindo grão de bico em lata?” …. e por aí vai …

Isso só me faz perceber o quanto as pessoas estão perdidas e com medo de fazer escolhas alimentares. Realmente não sabem o que comer! No desejo de comer saudável, têm complicado a vida inteira! Por isso, aqui no meu perfil, nas palestras e no consultório eu sempre busco falar de comida e não só de comportamento alimentar. Na verdade, pra mim um não existe sem o outro rsrs mas é que costumamos ver pessoas dicotomizando até isso. Então, resolvi fazer esse post para esclarecer um pouco mais essa questão de alimentos industrializados.

O Guia Alimentar para a População Brasileira (que é maravilhoso! Leia!Para acessá-lo, só clicar aqui) classifica os alimentos por nível de processamento. Quando a classificação que o Guia traz não é bem entendida, o que encontramos? Vamos ver se você adivinha? Rs Terrorismo Nutricional! As pessoas acham que precisam correr (o mais rápido que puder) de qualquer alimento industrializado porque nenhum é saudável. E não é bem assim! Penso que com as informações corretas, pensamento crítico, equilíbrio e poder de escolha, alguns alimentos industrializados facilitam a nossa vida. Afinal, não adianta pensarmos que na época dos homens das cavernas eles não comiam isso ou aquilo porque não-temos-a-rotina-e-a-vida-dos-homens-das-cavernas! Vamos entender isso pelo amor de Deus, meu polvo! Rs Dito isso, voltemo-nos ao nosso Guia. Ele nos orienta a ter uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, moderada em alimentos processados e evitar os alimentos ultraprocessados. Ou seja, você não precisa correr de todo e qualquer alimento industrializado como se estivesse em uma maratona e tão menos se sentir culpad@ quando ele aparecer vez ou outra na sua alimentação. Mas para você entender isso melhor, você precisa minimamente saber sobre essa classificação. Então, vamos lá:.

Alimentos in natura são os alimentos obtidos diretamente de plantas ou de animais e não sofrem qualquer alteração após deixar a natureza. Exemplos: frutas, verduras, legumes, ovos..

Alimentos minimamente processados correspondem a alimentos in natura que foram submetidos a processos de limpeza, remoção de partes não comestíveis ou indesejáveis, fracionamento, moagem, secagem, fermentação, pasteurização, refrigeração, congelamento e processos similares que não envolvam agregação de sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias ao alimento original. Exemplos: arroz, feijão, café, leite, frutas secas, farinhas (mandioca, milho, trigo), carnes congeladas, legumes congelados.

Alimentos processados são fabricados pela indústria com a adição de sal ou açúcar ou outra substância de uso culinário a alimentos in natura para torná-los duráveis e mais agradáveis ao paladar. Exemplos: alimentos preservados em salmoura ou em solução de sal e vinagre; extrato ou concentrados de tomate (com sal e ou açúcar); frutas em calda e frutas cristalizadas; carne seca e toucinho; sardinha e atum enlatados; queijos; e pães feitos de farinha de trigo, leveduras, água e sal.

Alimentos ultraprocessados são formulações industriais feitas inteiramente ou majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, amido, proteínas), derivadas de constituintes de alimentos (gorduras hidrogenadas, amido modificado) ou sintetizadas em laboratório com base em matérias orgânicas como petróleo e carvão (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e vários tipos de aditivos usados para dotar os produtos de propriedades sensoriais atraentes). Exemplos: lasanha congelada, empanado de frango pronto, macarrão instantâneo, molho de tomate pronto, refrigerantes, sucos adoçados, suco em pó, mistura para bolo, achocolatado, sopa em pó, tempero pronto, molho pronto para salada, biscoito recheado, salgadinhos de pacote, barrinha de cereal.

Como utilizar essa classificação na prática: lendo o rótulo e pensando CRITICAMENTE que alimentação perfeita não existe. Existe alimentação possível (para cada pessoa).

Acho que agora você consegue entender que é nem todo industrializado é ultraprocessado, né? E que ninguém vai morrer por utilizar legumes congelados de saquinho (veja a lista de ingredientes de dele e tire suas próprias conclusões) como eu utilizei para fazer um sopinha deliciosa.

Espero ter te ajudado com mais esse post de “xô terrorismo nutricional”! 🙂

Obs: esse texto foi escrito com base no Guia Alimentar para a População Brasileira (2014).

Um abraço acolhedor,

Nutricionista Cibelle Magalhães

CRN-3/52504

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